pedes um café com direito a duas horas de ardor no estômago;
atendes uns telefonemas e simulas perceber do que se trata;
vomitas uns sorrisos para dentro de um frasco de reserva;
passas no cabeleireiro que não usas para acompanhar alguém que o usa, onde encontras conversa feita de matérias fecais que não podes, de maneira alguma, assimilar;
procuras móveis com curto prazo de validade porque a vida não te facilita;
o cansaço prestes a detonar o suicídio da vontade;
as vozes de duas novelas tomadas de seguida conforme prescrição;
a lembrança gritante de quando eras protegido e de essa ter sido a maior liberdade que tiveste até à data;
uma sopa de grão com espinafres cai sempre bem, aliás, só sabes compensar o vazio dessa maneira;
...enquanto ainda não há luz ao fundo do túnel.
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