28 February 2005

em verde

estou de verde
todos os tons
verde água
verde claro
verde tropa
verde escuro
os olhos que por norma são azuis
também reflectem todo este verde
e acho que estou a apaixonar-me
mas não posso
porque é tudo tão virtual aqui
só uma vez transportei tudo para a realidade
e foi asfixiante
não havia lá nada
asfixiei com tudo o que lá não havia
mas também não estava apaixonada
e agora parece que sim
não
não é
não vou deixar
estou de verde
e ele não sabe quem é em mim
será que começo a esquecer-te?
ou a aceitar-te como um desgosto
não uma perca
porque para se perder é preciso ter-se tido
e não
não posso apaixonar-me por mais alguém que aqui não esteja
não posso.

bem
vou cortar as unhas


27 February 2005

...

tanto me falaste em obsessão que eu acabei fazendo-te a vontade..

e obsessão deixou de ser o que era, passou a ser a única palavra do diccionário que já não consigo encontrar, porque encontrar o seu significado tornou-se uma obsessão e quando andamos obcecados deixamos de vêr o que está.

E eu não te vejo, por isso deves ser mesmo obsessão. A minha obsessão..

25 February 2005

16 February 2005

não adormeças em mim

Voltei a esta página escura e silenciosa, pode ser que aqui ninguém me veja, pode ser que eu própria não me veja. Que o escuro é bom para trazer à luz a tristeza. É preciso arejar aquilo que somos cá dentro. E eu sei que preciso de o fazer. Não quero mais andar descalça. são horas e horas que passaram desde o dia em que te ouvi pela primeira vez. passou-se tempo enquanto andámos em sonhos diferentes. Passou-se em nós o espaço que era, mas não era, nosso. Era espaço meu apenas. um quarto guardado para sempre vazio em mim. um quarto aonde tão cedo não irei mudar os lençóis da cama grande que lá vive. Tão cedo não voltarei a espreitar os ruídos que de lá chegam, pensando que és tu a chamar-me. Tão cedo encontrei aquilo que nunca quís ser. Tão cedo tornou-se tarde demais quando caímos no erro de ouvir palavras alheias, quando adiámos a conversa que entretanto azedou em nossas bocas. Porque mesmo que essas palavras perdidas não nos encontrassem na disposição de nos desejarmos até ao fim, fariam, pelo menos, com que a amizade fosse doce. Agora é tarde demais, dizes tu, que sofres por algo a que nem sei se me pertence parte da culpa, mas julgo que não, pois não foi suposto eu ser-te em nada. É assim o tal vazio de que te falo quando trago a tristeza à superfície, uma espécie de significado do insignificante. Vamos deixar isto de parte, falemos de outra coisa. Falemos. Que a falar é que a gente se entende e já só consigo ouvir metade do vento, como as tuas meias palavras de sempre. Meias palavras que só geraram meias verdades. Agora diz-me, e a outra metade de tudo? Não foi verdade de todo?
Existiu na mentira? Serei eu mentira de hoje em diante?

minto.
minto que minto.
porque ainda te tenho, pois não fui eu que te perdi, foste tu que não soubeste onde me puseste..

se me tivesses arquivado, seria assunto arrumado, mas assim não tendo sido fica tudo por resolver, até ao fim da coisa, a coisa chegou ao fim!

14 February 2005

mission: impossible

"This time around, katia, you have the opportunity to develop your intellect, to form a personal philosophy based on fairness to all. You still have difficulties in discerning the truth, so you need to learn your own truth, not other people's truths."

onde param as diferenças?

OBSESSÃO, f. Impertinência excessiva. Acto ou efeito de importunar ou vexar. Perseguição diabólica. Vexame atribuído à influência do demónio. fig. Preocupação constante, ideia fixa. (lat. obsessio)


PAIXÃO, f. Bom ou mau movimento da alma. Amor excessivo. Grande mágoa. Cólera. Entusiasmo. Predilecção. Desejo intenso.Objecto da afeição. Falta de serenidade. Parcialidade. Alucinação. Sofrimento ou martírio. (do lat. passio)


AMOR, s. m. Afeição profunda de uma pessoa a outra; objecto dessa afeição; conjunto de fenómenos que constituem o instinto sexual; afecto; entusiasmo.


EXCESSO, s.m. Diferença para mais entre duas quantidades; sobejo; violência.


LOUCO, adj. Que perdeu a razão; insensato; temerário; estroina; travesso; apaixonado; furioso.


INSENSATEZ, s.f. Falta de sensatez; demência; loucura.

26 January 2005

"-És uma criança - disse.
-Não acredite - disse ela. -Vou completar dezanove em Abril.
O senador interessou-se.
-Em que dia?
-A onze - disse ela.
O senador sentiu-se melhor.
-Somos Aries - disse. E acrescentou, sorrindo: -É o signo da solidão."
in "Morte constante para além do amor" de Gabriel García Márquez

21 January 2005

quando o limite não tem limites




eu amo-te
sem precisar da noção de limites
sem exagero ou com exagero para mim tanto faz
o que interessa é que te amo com paixão
como a sede que tenho quando bebo muito alcool
aquela vontade de beber groselha e água com gás
aquela vontade de te apanhar sozinho algures num corredor e violar os teus preconceitos
ou a tua falta deles
sei lásó sei que te quero
e que me é impossivel deixar de querer
e se tiver de escolher
escolho ter tudo a que o nada tem direito
porque tudo é o que eu sou nesse teu nada a que pertenço..não fujo nem vou de encontro, apenas espero, a partir de agora, por agora..

20 January 2005

sonhices

ontem voltei a pedir-te para me lavares as costas,
mas andas ocupado com as tuas mensagens, que tens de actualizar,
a maldita banheira tornou-se pequena,
a saboneteira implica com o meu cotovelo, constantemente.
por falar nisso,
estiveste a mexer novamente nos meus sabonetes de glicerina,
logo agora que estavam todos organizados por cores.
o tapete de borracha cheio de humidade,
as cortinas sempre curtas demais,
e já te disse que a maldita banheira tornou-se pequena?
ou será que é o meu sonho que anda com a mania das grandezas?



outra vez..

amurto

um poema de amor tem de ser curto
fazer deslocar a coluna
estalar os ouvidos
abanar os dentes
e esticar-nos os dedos dos pés

o amor tem de ser longo
vivido nos vales do nosso corpo
andar escondido das correntes de ar
longe do nosso pensamento
e durar uma vida inteira


eu hei-de amar-te, onde os poemas deixam poeira..

14 January 2005

como dormir

Alguém me fale ao ouvido palavras sãs,
imagens loucas não cabem mais cá dentro.
Esta insónia de que sofre o meu coração
não tem fim com tanta agitação.
Alguém me fale baixinho coisas sem tradição.
Que esta tradição de se amar igual a todo e qualquer um,
deixa-me acordada toda a noite pensando que durmo.

É que o meu coração, por acréscimo ou defeito,
vai continuar a sofrer desta insónia e sem conseguir esconder-me, que contar amores não é como contar carneiros.

12 January 2005

anything goes sugar

if you can´t love me with a heart then love me with any other part of your body.

a hora do sim é o descuido do não?

sol

que tão pouco sol tens sido

que tens sentido?

frio?

diz-me,

porque todos dizemos

todos mostramos

o meu cérebro anda tão poluído de imagens

e todos gritam tanto amor

quase todos sofrem

deixa-me chegar

quero estar

mesmo que seja ao pé do teu não, que não se assume
ou do teu sim que se perdeu lá para outras bandas

tudo muda
a todo o tempo

nada volta

nada

nada até mim
neste mar que te estendo
eu não sei mais nadar
ou sei
mas não nas tuas correntes
nessas correntes do teu passado
nas correntes da minha ignorância
porque já não sei como dizer-te aquilo que já nem sei que dizer

e eu vou gritando
ensurdecendo o meu cérebro

o que dói no corpo já não sinto
estou ocupada com a queixa que vem de dentro

o gelo dói muito mais

pois, agora sim,
dói aquilo que apenas pesava

e está tanto sol na minha praia

vem tirar-me da borda do teu mar
vamos atravessar o meu

vem

só por uma manhã

uma tarde

por um só pôr do sol

ou por mil nascimentos do dia

só não me deixes assim

sem pé.



sem jeito.



sem ti.

10 January 2005

why why?

ain´t life about other things also? why always live in why?
Lets drop the why.
Lets dance the whole day through.
and the night too.

8 January 2005

in my solitude

i´m very strong
but sometimes i feel i have to forget you to not give in to weakness
and i say i give up
i say one last time i love you and pack my soul into my heart
just enough for leaving, just the essentials
but something keeps me here
between weakness and strength

i wonder if i would like it better some other way
maybe i´m addicted to you
well, it´s obvious i am

2 January 2005

1 January 2005

eat me like a candy necklace

(smoking underneath a red lamp dressed only in black stockings)
-i wanted to say something sweet...
-don´t say anything, just let me hold you...
-hold me then. hold me. take me way out of my control.







27 December 2004

não grites dentro de ti

Veio o Natal. Vieram as desgraças mundiais, continuaram as que estão quando saímos porta fora da nossa casa. Mas foi melhor do que eu esperava. Eu não gosto da ansiedade que anda dentro das pessoas quando se aproxima o Natal, não é igual à ansiedade das crianças, mas até as crianças (ou algumas) têm tanta coisa, tantos brinquedos, que a ansiedade delas também é um pouco forçada. Lembro-me sempre de quando era pequena quando andamos por volta destes dias, tento viver naqueles dias que foram, enquanto o dia de Natal não chega. Tento manter-me calma e sentir o que sentia. Procuro dentro de mim a ansiedade de um dia conhecer o Pai Natal, não que eu acreditasse muito nele, mas porque queria que me provasse que tinha feito mal em não acreditar que ele pudesse existir. Tinha sempre tantas perguntas preparadas. Tantas, que tinha a certeza de não conseguir falar se o visse na escassa luz que a árvore dava à minha sala. E por não o ter conhecido é que volto áqueles dias, sonhando como seria se o tivesse conhecido, como seria se ele não tivesse esperado que eu crescesse.
Agora sei que não vai aparecer por estes dias.
Agora, que tenho a coragem do mundo para lhe falar.
Agora, que podia finalmente sorrir-lhe calmamente.
Agora, que já nem sei se afinal queria assim tanto fazer-lhe perguntas.
Agora, que mais do que quando era pequena, queria mesmo mesmo, era espreitar o saco das prendas. Procurar aquilo, que tal como o pai Natal, talvez não exista.
Queria encontrar a paz.
A paz que falta dentro e não fora de nós.


Paz. É só isso que temos de ser.

12 December 2004

Looks like Elvis is dead..

10 December 2004

the art of being still

all is still

being still can also feel nice

after all unstillness

stillness in the wilderness of this heart

named still

a heart still named still

and still i long for you

as still as stillness can be.