não sei se estou mais perto de cair
se mais perto de sair
ou se mais perto de mim
cantando a oportunidade que me deram de te encontrar
louvando a tua paciência e o teu amor
que soube ser maior que o meu quando me achei tão fraca
amando-te neste tempo estranho que por norma já não existiria
onde pisei vinis que tu foste colando
hei-de eu oferecer-te um gira-discos
velhinhos havemos de ouvir o ruído da dor que eu te causei
que nos há-de soar longínquo
só sabia ser assim amor
não me ensinaram outra coisa senão dor
agora que te amo e aprendo que o amor sabe ir além
vou já imaginando um salão enorme e vazio para além de nós
onde dançamos ao som de batimentos sintonizados de todos os corações que havemos de trazer à nossa vida, vindos de nós.
18 May 2005
10 May 2005
9 May 2005
mais uma
não te esqueças do que eu te disse
não uses sabonete que faça espuma
prejudica a saúde, a espuma teima em iludir
e vai procurar os cães que andam abandonados na rua
traz todo aquele pêlo sujo de miséria para ser lavado
também não te esqueças de trazer os olhares tristes que eles carregam
pode ser que eu encontre na despensa amor de cão para a troca
se ainda tiver despensa
aquela despensa que volta e meia muda de casa
foda-se
mas porque não me ouves?
vê lá se ouves.
senão depois enganas-te e vais às gatas
sabes que não gosto de te ver arranhado
sabes que não tenho jeito para tratar de feridas
conheces-me bem
sabes que não suporto o cheiro de sangue fora do prazo
só mais uma coisa
e esta não volto a repetir
é que a groselha bebe-se com palhinha
já não tens idade para andares com esse bigode vermelho

não uses sabonete que faça espuma
prejudica a saúde, a espuma teima em iludir
e vai procurar os cães que andam abandonados na rua
traz todo aquele pêlo sujo de miséria para ser lavado
também não te esqueças de trazer os olhares tristes que eles carregam
pode ser que eu encontre na despensa amor de cão para a troca
se ainda tiver despensa
aquela despensa que volta e meia muda de casa
foda-se
mas porque não me ouves?
vê lá se ouves.
senão depois enganas-te e vais às gatas
sabes que não gosto de te ver arranhado
sabes que não tenho jeito para tratar de feridas
conheces-me bem
sabes que não suporto o cheiro de sangue fora do prazo
só mais uma coisa
e esta não volto a repetir
é que a groselha bebe-se com palhinha
já não tens idade para andares com esse bigode vermelho

8 May 2005
stardust
there´s no country music playing in that bar anymore
there´s no kiss hanging on that old microphone since we left
but there´s a secret that kills all hearts that trip on it
and there´s a barman serving alcoholic chilled love into big cups,
there´s bottles of wined tears waiting on shelfs
and there will always be someone sitting on that same bench
and that same someone will be humming the same song
humming the same "one and only" pain
the only real pain that heartbreak hotel ever knew
because no love is love until it´s no longer love
and we´ll keep on pretending we never met
there´s no kiss hanging on that old microphone since we left
but there´s a secret that kills all hearts that trip on it
and there´s a barman serving alcoholic chilled love into big cups,
there´s bottles of wined tears waiting on shelfs
and there will always be someone sitting on that same bench
and that same someone will be humming the same song
humming the same "one and only" pain
the only real pain that heartbreak hotel ever knew
because no love is love until it´s no longer love
and we´ll keep on pretending we never met
7 May 2005
21 April 2005
e se acordasse?
havia um som que me entrava pelas narinas directo ao cérebro, o som de um rádio vizinho que marchava com voz de parede, foi assim que acordei, mas logo me senti confortável com a existência de uma vida normal algures, com o facto de alguém preferir ouvir rádio a ter de ficar enrolado nos bigodes de um gato pesado e preguiçoso. Bati em todos os pensamentos, deixei-me ser sonhada pelo meu próprio sonho. Aqui estou de novo. Sem mim. sempre sem mim.
28 March 2005
o amor é
o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás.
António variações
23 March 2005
22 March 2005
21 March 2005
quase importante
estava aqui a pensar
na broa que a minha mãe trouxe de Espinho
nos flocos de aveia
na cerveja preta
no caril de frango
nas torradas de pão alentejano
na sopa de feijão
no chá de amoras silvestres
no quarto quase organizado
na roupa que está em ordem
na chuva que finalmente caiu
na nova almofada
nas dores das costas
no trabalho da loja
na festa que os vizinhos dão até às tantas
no jantar de aniversário que acabei por não marcar
nas telas que ainda quero fazer
no frio que tenho
no filme que vou ver amanhã
no sabor do gengibre
nas coisas que escreves
naquilo que não entendo nelas
em ti
estava apenas a pensar em ti
na broa que a minha mãe trouxe de Espinho
nos flocos de aveia
na cerveja preta
no caril de frango
nas torradas de pão alentejano
na sopa de feijão
no chá de amoras silvestres
no quarto quase organizado
na roupa que está em ordem
na chuva que finalmente caiu
na nova almofada
nas dores das costas
no trabalho da loja
na festa que os vizinhos dão até às tantas
no jantar de aniversário que acabei por não marcar
nas telas que ainda quero fazer
no frio que tenho
no filme que vou ver amanhã
no sabor do gengibre
nas coisas que escreves
naquilo que não entendo nelas
em ti
estava apenas a pensar em ti
19 March 2005
14 March 2005
freak heart
afinal estou apaixonada. mas isso vê-se, mesmo que eu queira iludir-te de que não estou. mesmo que eu finja que sou forte e que diga que só me entrego quando quiser e achar que for altura, não consigo evitar o desejo de querer-te. E falo de irmos muito mais além de qualquer abraço. Falo de poder ser tonta e de nos rirmos juntos. até um sempre que nos esteja destinado. Falo de saudade. Falo de ti em mim. Mas porque será que não te posso ter também por dias? Porquê só por horas, minutos e segundos?
13 March 2005
freak heart
there´s nothing there that you can see,
except the core of what is trying to be human.
branches of small thoughts.
cracked circles.
unheard shouting.
swallowed screaming
like death in a final position
waiting for someone to turn on the lights
and bring me some toasts and boiled eggs.
how i love boiled eggs.
except the core of what is trying to be human.
branches of small thoughts.
cracked circles.
unheard shouting.
swallowed screaming
like death in a final position
waiting for someone to turn on the lights
and bring me some toasts and boiled eggs.
how i love boiled eggs.
12 March 2005
afia dor
a desordem do teu reflexo em mim deixa-me tão quente
não tenho sido eu nestes últimos anos
nunca gostei do azul e hoje é uma das cores onde mais depressa me encontro
como se estivesse numa pensão limpa e silenciosa
onde a dor se pendura nos neons que se avistam da janela
ardendo toda a noite intermitentemente.
e nos intervalos de tudo, da luz, da respiração, do bater do coração,
lembro-te,
a tua maneira de fumar
o teu olhar poisado em mim quando me finjo distraída
a atenção que pareces manter nas coisas que vou dizendo
o teu sorriso.
não sei se sei amar
quando se chega sozinho a esta altura da vida tudo é tão frágil de novo,
ou então tudo sempre foi frágil
como as minhas mãos pálidas, que me pertencem para sempre.
o segredo mantém-me cá
o segredo faz-me também percorrer, vezes sem conta, de novo aquelas ruas,
aqueles sítios, as tuas palavras, o teu abraço.
o segredo de que não suporto mais ninguém.
só isto por enquanto.
mas sou eu. mais eu do que julgava poder voltar a ser.
é tudo verdade entre nós.
vem aí a primavera.
não tenho sido eu nestes últimos anos
nunca gostei do azul e hoje é uma das cores onde mais depressa me encontro
como se estivesse numa pensão limpa e silenciosa
onde a dor se pendura nos neons que se avistam da janela
ardendo toda a noite intermitentemente.
e nos intervalos de tudo, da luz, da respiração, do bater do coração,
lembro-te,
a tua maneira de fumar
o teu olhar poisado em mim quando me finjo distraída
a atenção que pareces manter nas coisas que vou dizendo
o teu sorriso.
não sei se sei amar
quando se chega sozinho a esta altura da vida tudo é tão frágil de novo,
ou então tudo sempre foi frágil
como as minhas mãos pálidas, que me pertencem para sempre.
o segredo mantém-me cá
o segredo faz-me também percorrer, vezes sem conta, de novo aquelas ruas,
aqueles sítios, as tuas palavras, o teu abraço.
o segredo de que não suporto mais ninguém.
só isto por enquanto.
mas sou eu. mais eu do que julgava poder voltar a ser.
é tudo verdade entre nós.
vem aí a primavera.
10 March 2005
6 March 2005
pevides para coruja
cansada de ser lua.
tão fora do alcance.
estende os braços até cresceres para dentro deste azul.
deixa-me poisar em ti.
como ave branca.
cansada de ser lua.
quero tanto ser tua.


tão fora do alcance.
estende os braços até cresceres para dentro deste azul.
deixa-me poisar em ti.
como ave branca.
cansada de ser lua.
quero tanto ser tua.


"Haja o que houver...
...há sempre um homem para uma mulher.
E há-de sempre haver para esquecer,
um falso amor e uma vontade de morrer.
Seja como for há-de vencer o grande amor,
que há-de ser no coraçao,
como perdão para quem chorou."
(Antonio Carlos Jobim - Vinícius de Moraes)


E há-de sempre haver para esquecer,
um falso amor e uma vontade de morrer.
Seja como for há-de vencer o grande amor,
que há-de ser no coraçao,
como perdão para quem chorou."
(Antonio Carlos Jobim - Vinícius de Moraes)


1 March 2005
poema 69 + 69 são 4
a masturbação nunca embalou o pensamento
e tão pouco o coração
a sinceridade afunda-me toda a zona do peito
mas prefiro à mentira
tenho saudades de um corpo suado colado ao meu
de fazer amor com amor
do amor que foi por engano o sexo acabou sendo bom
e da relação que foi pelo sexo, o sexo acabou sendo engano
não há forma de acertar
porque são gestos que não se ensaiam
sentimentos que não se vendem em qualquer esquina
e o tempo passa devagar e dolorosamente pelas minhas omoplatas
como dedos que já lá deviam estar há muito
depois acaricia um ombro de cada vez
e é aí que morro
é nesse instante que o tempo me desfaz, como serradura fininha
assim me vou amontoando pelo chão de todos
e todos passam a ser meus
mas só quero um
um qualquer
desde que seja por amor
amor suado.
e tão pouco o coração
a sinceridade afunda-me toda a zona do peito
mas prefiro à mentira
tenho saudades de um corpo suado colado ao meu
de fazer amor com amor
do amor que foi por engano o sexo acabou sendo bom
e da relação que foi pelo sexo, o sexo acabou sendo engano
não há forma de acertar
porque são gestos que não se ensaiam
sentimentos que não se vendem em qualquer esquina
e o tempo passa devagar e dolorosamente pelas minhas omoplatas
como dedos que já lá deviam estar há muito
depois acaricia um ombro de cada vez
e é aí que morro
é nesse instante que o tempo me desfaz, como serradura fininha
assim me vou amontoando pelo chão de todos
e todos passam a ser meus
mas só quero um
um qualquer
desde que seja por amor
amor suado.
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